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A conexão sinistra do Instituto Mises Brasil

Posted on Thursday, April 5, 2018 in General

Esta semana, a Newsweek publicou um artigo caracterizando a Antifa como fascista. O grosso do artigo, na verdade, procura mostrar como nazismo e comunismo seriam a mesma coisa. A palavra anarquismo nem chega a aparecer no texto. A lógica que serve de base para o texto é aquela falácia batida da internet que diz que governo grande é esquerda, governo pequeno é direita, logo todo mundo que não é liberal é de esquerda. Então lista-se um monte de características de cunho socialista que foram declaradas na propaganda fascista antes de chegarem ao poder, ignorando o fato do governo nazista ter sido o primeiro na história a executar uma política massiva de privatização e que os fascistas italianos, segundo Donal Sassoon:

“Depois da nomeação de Mussolini como primeiro-ministro, os industriais sentiram-se ainda mais recompensados com a designação de Alberto De Stefani, um intransigente liberal, como ministro das Finanças — para alegria de Luigi Einaudi (membro do Partido Liberal Italiano). De Stefani reduziu impostos, aboliu isenções fiscais que beneficiavam contribuintes de baixa renda, facilitou as transações com ações e a evasão fiscal reintroduzindo o anonimato (abolido por Giolitti), eliminou a regulamentação dos aluguéis, privatizou os seguros de vida (introduzidos por Giolitti) e transferiu a gestão do sistema de telefonia para o setor privado.” (SASSOON, Donald. Mussolini e a ascensão do Fascismo. Rio de Janeiro: Agir, 2009. p. 120)

Mas quem é o autor do artigo, Antony Mueller?

Mueller, economista alemão, leciona na Universidade Federal de Sergipe e é membro do Instituto Mises. Agora a coisa começa a fazer mais sentido, embora possa assustar saber que esse tipo de gente faz parte do ensino universitário público brasileiro. (Particularmente, não é novidade, já que eu mesmo, infelizmente, tive aula com um professor que é membro de um think tank que afirma que mecânica quântica é marxismo cultural e congratula a neo-nazista Sara Winter…)

Não paremos por aqui. Que tal investigarmos um pouco a filial brasileira do Instituto Mises?

A filial brasileira foi fundada por Hélio Beltrão, que também fundou o Instituto Millenium, aquele do Rodrigo Constantino. Ele também é sócio-proprietário do grupo Ultra, do qual a Ipiranga faz parte. A marca Ipiranga patrocinou o Fórum da Liberdade, que promoveu eventos pela queda de Dilma Rousseff, trazendo palestrantes como a guatemalteca Gloria Alvarez e o senador Ronaldo Caiado, que repetiu a ladainha sobre Fóro de São Paulo. Alvarez é aquela que se diz contra o populismo, mas participou das mobilizações populistas no Brasil que canalizaram a insatisfação da classe média contra classe política em geral, mas serviram apenas para colocar outros políticos corruptos no lugar.

Quem quiser ler mais sobre esses grupos de cruzada antissocialista, como eles todos se relacionam e quem são seus possíveis chefes e financiadores, acesse “A Nova Roupa da Direita“, da Pública.

O grupo Ultra também foi um dos principais financiadores da ditadura no Brasil. Inclusive o pai de Hélio, o outro Hélio Beltrão, foi ministro da previdência social durante o governo ditatorial de Figueiredo. Além da Ipiranga, outra divisão do grupo Ultra é a Ultragaz. Se você já ouviu falar da relação entre a Ultragaz e a ditadura, provavelmente sabe quem foi Henning Boilesen, presidente da subsidiária. Boilesen foi um dos principais articuladores do financiamento da ditadura, além de um ávido participante das sessões de tortura, das quais participava só pelo prazer de causar dor.

Hélio Beltrão filho é irmão de Maria Beltrão, âncora jornalística da Rede Globo. Da Rede Globo, não há nada de novo a ser dito, mas ficam claras então as ligações, inclusive consanguíneas, entre os think tanks macartistas e a emissora.

Portanto, essa é uma das conexões sinistras do Instituto Mises que, apesar de comparar todos seus oponentes à ideologia e aos regimes fascistas, está envolvido com uma família de magnatas financiadores e participantes de um violento regime militar promovido pelo sentimento antissocialista infundido no país pela política externa americana.

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